Fiocruz participa de inauguração de nova estação na Antártica

 

 

O Brasil inaugurou, nesta quarta-feira (15/1), a nova Estação Antártica Comandante Ferraz. Localizada na ilha Rei George, a nova estação é considerada uma das mais modernas e sustentáveis do continente e substitui a anterior, destruída por um incêndio em 2012.

 

Com 4.500 metros quadrados e capacidade para abrigar 64 pessoas, a nova estação dará suporte às pesquisas brasileiras no continente em diversos campos do conhecimento, entre eles a saúde.

 

A Fiocruz ocupará um dos 17 laboratórios que compõem a nova estação, chamado de Fiolab. Representante do ministro da Saúde, o secretário-executivo João Gabbardo; a presidente da Fiocruz Nísia Trindade Lima e o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fundação Marco Krieger na cerimônia de inaguração da nova estação (foto: Divulgação)

 

A cerimônia de inauguração contou com a presença de autoridades, representantes das forças armadas e pesquisadores, entre eles a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima; o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Marco Krieger; o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, e os ministros da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação, Marcos Pontes; da Defesa, Fernando Azevedo e Silva; e da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.

 

“Para nós da Fundação Oswaldo Cruz, é uma emoção muito grande poder concretizar esse laboratório de pesquisa no âmbito do Programa Antártico Brasileiro e desenvolve-lo como um programa da Fiocruz pensando no futuro da ciência, no futuro da saúde, na articulação entre a vigilância e a saúde, nos estudos de biodiversidade e a prospecção de novos produtos importantes para a saúde. É uma visão estratégica para a Fiocruz do futuro nos seus 120 anos”, afirmou a presidente da Fundação, ao visitar o Fiolab.

 

 

O comandante da Marinha do Brasil, Ilques Barbosa, agradeceu o engajamento da comunidade científica no delineamento da Estação e na montagem dos laboratórios e destacou a importante parceria com a Fiocruz, que aderiu ao Programa Antártico Brasileiro em 2019, representando a entrada do Ministério da Saúde no Prontar. “O continente antártico é reconhecido por deter incomparáveis características que afetam o clima mundial, influenciando correntes de ar e marítimas, regulando temperaturas em diferentes partes do planeta, interferindo diretamente no ciclo de vida da fauna e da flora em diversos ecossistemas. A ciência é a vanguarda do conhecimento, a ciência é a vanguarda do desenvolvimento, a ciência é a vanguarda do bem-estar para o povo brasileiro”, ressaltou o comandante da Marinha do Brasil, ao dar as boas-vindas à “casa nova do Brasil na Antártica”.

 

DESTAQUE DE MOURÃO

 

O vice-presidente da república, Hamilton Mourão, também destacou o papel da Fiocruz, que juntamente com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e 13 universidades brasileiras, desenvolve o plano de ação de pesquisas antárticas brasileiras até 2022, com mais de 250 pesquisadores envolvidos. “[Gostaria de prestar meu] reconhecimento às instituições de pesquisa que empenharam recursos e alguns de seus melhores quadros nas atividades científicas que garantem a participação do Brasil nas reuniões no âmbito do Tratado da Antártica e, por conseguinte, nas deliberações sobre o futuro da região”, disse o vice-presidente, ao citar o Tratado que garante a utilização pacífica e internacional do continente antártico, reservando para a pesquisa científica e a preservação ambiental. O Brasil aderiu ao Tratado da Antártica em 1975 e atualmente é membro consultivo com poder de voto em seu conselho. O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger; a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima; o comandante Ilques Barbosa e o contra-almirante Sergio Guida em visita ao Fiolab (foto: Divulgação)

 

PARA A FIOCRUZ

 

Para o pesquisador da Fiocruz e coordenador do projeto Fioantar, Win Degrave, que esteve em novembro na estação, montando o laboratório da Fiocruz, a inauguração da nova estação e do Fiolab permitirá um salto de qualidade nas pesquisas brasileiras desenvolvidas no continente. "As instalações são de primeira classe, realmente espetacular em muitos sentidos", disse.

 

 

O Fiolab é resultado do acordo de cooperação firmado com a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm/Marinha do Brasil), e será um laboratório de biossegurança preparado para responder às necessidades de vigilância epidemiológica e sanitária do país, e dar suporte às pesquisas em saúde e ambiente na Antártica. 

 

O novo laboratório permitirá que as amostras biológicas coletas por cientistas brasileiros na Antártica sejam processadas imediatamente. Até o momento, era necessário aguardar até o final do verão, em abril, quando os navios da Marinha retornam ao Rio de Janeiro, para ter acesso às amostras, que ficam congeladas a bordo. “Isso faz uma enorme diferença na pesquisa. É muito melhor trabalhar com amostras novas”, explica Degrave.

 

A Fiocruz se lançou às pesquisas na Antártica como resultado de um edital do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTIC) para o desenvolvimento de pesquisas na região. O Fioantar foi aprovado em dezembro de 2018 e vai integrar o Programa Antártico Brasileiro (Proantar), conduzido pela Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Cirm), da Marinha do Brasil. A equipe da Fiocruz passou quase um ano se preparando para sua primeira expedição, que aconteceu em dezembro de 2019. Uma nova equipe de pesquisadores seguirá em janeiro de 2020.

 

Ao longo dos quatro anos de duração do projeto, os pesquisadores irão estudar vírus, bactérias, fungos, líquens, microbactérias e helmintos, que podem estar presentes nos animais que vivem ou circulam pela região, nas águas, nos solos, nas rochas e ainda no permafrost, que é um tipo de solo encontrado na região do Ártico e formado por terra, gelo e rochas que estão permanentemente congelados.

 

A pesquisa irá auxiliar na vigilância epidemiológica do Sistema Único de Saúde (SUS), identificando possíveis ameaças à saúde pública que podem chegar à América do Sul e, em outra linha, o potencial uso dos microrganismos identificados para desenvolvimento de novas tecnologias e produtos em saúde, como medicamentos e insumos.

 

 

 

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