Pesquisadores paranaenses lideram estudo sobre a Covid-19

26.06.2020

Trabalho é sobre as manifestações clínicas da Covid-19, em diferentes tipos de pacientes. Participarão as universidades estaduais, UFPR, PUC-PR, Institutos de Pesquisa e universidades de São Paulo
 
Pesquisadores das universidades estaduais do Paraná, Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), de Institutos de Pesquisa e de algumas universidades do estado de São Paulo vão participar de um estudo genômico, pioneiro no Brasil e na América Latina, sobre as manifestações clínicas da Covid-19, em diferentes tipos de pacientes. O estudo inicia no mês de julho e será coordenado pelo Instituto de Pesquisa para o Câncer (IPEC/Guarapuava), por meio da Rede Genômica.
O valor inicial do investimento na pesquisa é de R$ 800 mil, sendo R$ 400 mil da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, por meio da Unidade Gestora do Fundo Paraná (UGF), e R$ 400 mil repassados pela prefeitura de Guarapuava.

“O ineditismo do projeto de pesquisa genômica e populacional a respeito da Covid-19 demonstra o elevado nível técnico e científico dos pesquisadores das universidades e institutos de pesquisa do Paraná”, afirma o superintendente de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldo Bona. “Será um grande legado. A iniciativa reforça o papel fundamental das nossas intuições de ensino superior no desenvolvimento do Paraná”, destacou Bona.

Serão 95 pesquisadores de 11 municípios do Paraná e de São Paulo. Eles estudarão o comportamento da Covid-19 em pacientes com quadro clínico grave e mantidos na UTI com ventilação pulmonar; pacientes com quadro clínico moderado, internados na enfermaria; em pacientes que foram curados sem a necessidade de transferência para a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), além de pacientes com quadro clínico leve ou assintomáticos.

Pesquisas já realizadas demonstram que metade dos indivíduos com Coronavírus apresenta sintomas moderados e é curada sem a necessidade de hospitalização, 30% são assintomáticos. Cerca de 20% dos indivíduos infectados evoluem para a forma mais grave da doença e necessitam de cuidados hospitalares. Desses pacientes, 5% necessitam de atenção intensiva com ventilação pulmonar.
 
AMOSTRAS - Para realizar o estudo, serão coletadas, ao longo de quatro meses, amostras de sangue e tecidos de 200 pacientes, obtidas de instituições de saúde do Paraná e de São Paulo, entre elas o Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), em Curitiba.

GENÉTICA - Segundo o coordenador do curso de Medicina da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e um dos coordenadores da pesquisa, David Livingstone, o estudo busca compreender de que maneira a genética influencia na evolução da doença. “Já se sabe que alguns fatores de risco da doença são idade avançada, obesidade e existência de comorbidades. Todos estes fatores, no entanto, não explicam porque certos pacientes jovens ou sem doenças pré-existentes desenvolvem quadros graves de Covid-19. Existem fatores genéticos inerentes a determinados indivíduos que os tornam mais propensos a desenvolver formas graves da doença? Quais seriam esses fatores? Entre as centenas de variedades de Sars-CoV-2 em circulação no Brasil e no mundo, quais são as mais graves e por que? Essas são algumas questões que buscamos responder com a pesquisa", destacou Livingstone.

Para a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Maria Antônia Ramos Costa, esse projeto integra um esforço global, a fim de compreender os mecanismos envolvidos no processo de infecção e predisposição no quadro da síndrome respiratória aguda grave (Sars) com evolução clínica atípica.

“Nossos pesquisadores, professores e estudantes vão atuar na coleta de dados e elaboração de artigos e resumos, disponibilizando também os laboratórios das áreas de Ciências Biológicas da instituição para a pesquisa”, conclui a professora.

Na Universidade Estadual de Maringá (UEM), um grupo de pesquisa que analisa a citologia clínica e infecções sexualmente transmissíveis vai avaliar a presença da Covid-19 em líquidos como sangue, soro e plasma mapeando as diferentes fontes de transmissão.

“A criação da rede estadual permite que o Paraná seja representado nacionalmente em estudos epidemiológicos moleculares, evidenciando as características genéticas de cada região do Estado e somando forças ao desenvolvimento de pesquisas tecnológicas de ponta”, destacou a diretora de pesquisa da UEM, Marcia Edilaine Lopes Consolaro.

PROTAGONISTA - O professor de Ciência Biológicas da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Bruno Galindo, ressalta que a iniciativa posiciona o Paraná como protagonista na investigação das causas e efeitos do novo coronavírus, além de ser um legado para o desenvolvimento de outras pesquisas científicas de ponta.
 
“Essa parceria entre pesquisadores de diferentes instituições trará diversos benefícios para o Estado. A excelente estrutura do IPEC permite que possamos avançar no estudo e desenvolvimento de terapias de doenças importantes e de outras áreas do conhecimento”.

PARTICIPANTES - O projeto será desenvolvido no IEPC pela Rede Genômica com pesquisadores de doze instituições de pesquisa paranaenses. São elas as universidades estaduais de Londrina (UEL), Ponta Grossa (UEPG), do Centro-Oeste (Unicentro), de Maringá (UEM), do Norte do Paraná (UENP), do Oeste do Paraná (Unioeste), Estadual do Paraná (Unespar), e a Universidade Federal do Paraná (UFPR).

 
Também participam a Faculdades Pequeno Príncipe (FPE-Curitiba), Instituto Carlos Chagas (Fiocruz/PR), Laboratório Central do Estado do Paraná (Lacen), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e quatro instituições paulistas: Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP), Faculdade de Ciências Farmacêuticas (Unesp - Araraquara), Universidade de Araraquara (Uniara) e a Faculdade de Medicina de Marília (Famema).

REDE GENÔMICA - A rede foi criada com o objetivo de desenvolver metodologias de análise em escala genômica aplicadas ao diagnóstico de doenças genéticas, em especial as doenças oncológicas. A Rede Genômica está vinculada ao IPEC, que foi criado recentemente. O instituto desenvolve pesquisas básicas e aplicadas voltada ao diagnóstico e tratamento do câncer e também promove a formação de profissionais especializados em medicina de precisão.

INSTITUTO PARA PESQUISA DO CÂNCER - Inaugurado no mês de junho, o Instituto é fruto de um investimento de R$ 15 milhões da Assembleia Legislativa do Paraná e empresários locais.

O IPEC foi criado para ser uma plataforma de pesquisa genômica com corpo técnico e clínico especializado. A instituição tem um amplo portfólio de testes genéticos, com equipamentos e metodologias de última geração, fundamentais para o diagnóstico de doenças de base genética, em especial as doenças oncológicas.

O instituto atua em diferentes áreas como: Oncogenética, Neurogenética; Doenças Raras, Cardiogenética, Saúde e Bem-Estar, além de fortalecer a base científica para o desenvolvimento do setor agropecuário da região de Guarapuava.
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